GLUTEN: O QUE VOCÊ PRECISA SABER [2]

QUE CONDIÇÕES PODEM ESTAR RELACIONADAS AO GLÚTEN?

Este artigo faz parte de uma série de posts sobre glúten.  Veja também receitas sem glúten.

Por Paula Pedroza, médica nutróloga pós graduada em fitoterapia e nutrologia e especialista em acupuntura.

A sensibilidade ao glúten é um estado de resposta imunológica exagerada à proteína de cereais como o trigo, o centeio, a cevada e a aveia em indivíduos geneticamente predispostos. O mais conhecido caso de intolerância ao glúten é a doença celíaca, uma doença inflamatória autoimune do intestino delgado, com sintomas gastrintestinais como diarreia, distensão e/ou dor abdominal. No entanto, no caso da sensibilidade ao glúten, praticamente qualquer órgão pode ser afetado sem obrigatoriamente haver o comprometimento intestinal.

Porém, o que é menos conhecido e estudado é que pessoas podem não ter doença celíaca, mas podem ter alergia ao trigo e, consequentemente, também se beneficiarem com uma dieta isenta de glúten. Para estes pacientes, nem sempre é necessário eliminar da dieta o centeio, a cevada e a aveia da alimentação, mas sim apenas o trigo.

A boy eating junk food in front of an open fridge

Alguns pesquisadores acreditam que o consumo exagerado de pães e massas com glúten em pessoas sensíveis seria o gatilho para o desenvolvimento de doenças.

O glúten é uma grande molécula que deve ser quebrada em partes menores para ser absorvida. Quando isso não acontece, ou acontece de forma incompleta, macromoléculas se formam. Estas macromoléculas ultrapassam a barreira intestinal e chegam na corrente sanguínea – já  identificadas pelo corpo como “invasoras”  pelas células de defesa, que fabricam anticorpos contra elas. Esse complexo molécula-anticorpo pode se depositar em qualquer tecido do corpo e provocar alterações no seu funcionamento, tais como no cérebro, onde levaria a distúrbios no comportamento e no aprendizado; na pele, com inflamações nas articulações; e no funcionamento inadequado  de glândulas, como a tireóide, etc.

SENSIBILIDADE AO GLÚTEN: UMA CAUSA, VÁRIAS MANIFESTAÇÕES

Um artigo cientifico em uma das revistas médicas mais prestigiadas, a  New England Journal of Medicine, listou 55 distúrbios que podem ser causadas pela ingestão de glúten em pessoas susceptíveis.  Dentre elas  podemos citar: osteoporose, síndrome do Cólon irritável, anemia, câncer, fadiga, artrite reumatóide, lúpus eritematoso, esclerose Múltipla, e quase todas as doenças autoimunes, doenças psiquiátricas e neurológicas incluindo depressão, ansiedade, esquizofrenia, demência, enxaqueca, epilepsias, neuropatias, TDHA (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), autismo. Esses distúrbios podem afetar crianças, adultos e idosos independente do sexo.

QUAIS SERIAM AS POSSÍVEIS RAZÕES PARA QUE UM ELEMENTO BÁSICO DA NOSSA DIETA PROVOCASSE TANTOS PROBLEMAS?

Explicação histórica

As teorias mais difundidas seriam a de que o trigo foi introduzido na Europa somente  durante a Idade Média. Portanto, temos pouco tempo de adaptação a esse alimento, além de cerca de 30% dos descendentes europeus possuírem o gene para doença celíaca (HLA DQ2 ou HLA DQ8) que os impede de digerir o glúten.

Com relação aos EUA, as suas variantes de trigo tem maior conteúdo de glúten para fabricar pães grandes e fofos. Este “superglúten”  foi então introduzido recentemente no trigo das Américas. Seria um glúten de mais difícil digestão?

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