Suco de Frutas: De Mocinhos a Bandidos

Por décadas os sucos de frutas foram considerados mais saudáveis do que os refrigerantes, mas recentemente, Susan Jebb da Universidade de Cambridge na Inglaterra, sugeriu que fosse revista a  recomendação de 5 porções de frutas e vegetais por dia , já que se tem trocado o consumo da fruta in natura por grandes quantidades de sucos, com cargas altas de açúcar, calóricos e pobres em fibras, além de outros problemas que discutiremos nesse texto.

Ela sugere porções menores, em torno de 150ml/dia de sucos naturais e preferência pelas frutas e vegetais ricas em vitaminas e minerais além de fibras muito importantes na regulação do metabolismo.

COMER A FRUTA É DIFERENTE DE INGERIR O SEU SUCO. QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS?

  1. Um suco leva mais frutas e portanto possui maior quantidade de açúcar do que  se ingeríssemos a fruta in natura. Para fazer um suco de laranja, usa-se no mínimo duas frutas, por exemplo.
  2. A glicemia aumenta rapidamente, o que leva a liberação de insulina pelo pâncreas, elevando o risco de Diabetes tipo 2 a longo prazo;
  3. Há diferenças entre os sucos  naturais feitos da fruta in natura e os industrializados que além dos conservantes, corantes, estabilizantes, são adoçados, em geral, com xarope de milho,  também conhecido por  açúcar invertido, ou glucose ou “frutose” ou HCFS(High Corn Fructose Syrup). O HCFS é um produto industrializado e bem mais barato que o açucar da cana de açúcar(sacarose) , além de  bioquimicamente diferente.

A sacarose é composta de duas moléculas de açúcar, glicose e frutose, fortemente ligadas em quantidades iguais. As enzimas do trato digestivo devem romper essa ligação para liberar essas moléculas.  Já o HCFS consiste  de glicose e frutose fracamente ligadas, em diferente proporção, e são muito mais fáceis de digerir.

A frutose é mais doce que a glicose.

Desde que nenhuma digestão é requerida para separar as moléculas do HCFS, elas são mais rapidamente absorvidas para a corrente sanguínea. A frutose vai direto para o fígado e deflagra lipogenesis (a produção de gorduras como os triglicérides), que pode levar a uma condição patológica chamada Esteatose Hepática (fígado gorduroso) que afeta milhões de pessoas.

Já a glicose que está livre e é rapidamente absorvida, dispara  picos de liberação de insulina pelo pâncreas, nosso principal hormônio estocador de gordura.

A insulina é responsável por facilitar a entrada da glicose na célula, só que o seu excesso acaba por desencadear o que se acha de resistência à ação da insulina. É como se a célula fechasse a porta e não deixasse entrar mais a glicose que ela não precisa, ocasionando excesso de glicose fora da célula (hiperglicemia). O cérebro “interpreta” isso como incompetência do pâncreas em controlar  a glicemia via insulina, e acaba dando ordem para ele enviar mais insulina (hiperinsulinemia) às celulas.

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Isso gera um ciclo vicioso.

Com a  repetição frequente do consumo desses sucos, o pâncreas põe o pé no acelerador a cada ingestão. Com o tempo, isso leva o órgão à exaustão, à diminuição da fabricação de insulina e o surgimento do Diabetes tipo 2.

Portanto, um simples hábito alimentar pode levar a distúrbios metabólicos com aumento da glicemia, da insulina cujo aumento pode levar a hipoglicemias reacionais, dos triglicérides, do colesterol, do ácido úrico e de todas as doenças com eles relacionados tais como Diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, cânceres, gota, obesidade dentre outras.

Alterações provocadas pelo excesso de  frutose: aumento de triglicérides, de ácido úrico, fígado gorduroso, resistência à insulina, obesidade, Diabetes tipo 2.

FRUTOSE DA FRUTA IN NATURA SE COMPORTA DIFERENTE DA “FRUTOSE “ SINTÉTICA

A frutose que ocorre naturalmente nas frutas faz parte de um complexo de nutrientes e fibras que não tem os mesmos efeitos biológicos do HCFS, mas é importante lembrar que nada em excesso, mesmo sendo considerável saudável, é bom para nosso organismo.

EXPLICANDO MELHOR

Os monossacarídeos (ou açucares simples) mais comuns nos alimentos são a glicose, a frutose e a galactose. Pela combinação deles, são formados os dissacarídeos – a sacarose (glicose+ frutose), a lactose (glicose+ galactose) e a maltose (glicose+glicose).

A frutose faz parte da estrutura da sacarose, mas também é encontrada nas frutas e mel.

Já a frutose sintética também chamada xarope de milho, açúcar ou frutose invertida, glucose ou HCFS (High Corn Fructose Syrup) é usada para adoçar refrigerantes, sucos industrializados, barrinhas de cerais, iogurtes, achocolatados, cereais matinais, biscoitos, etc.

LEPTINA X INSULINA X FRUTOSE

Como já dissemos, a digestão, a absorção e o metabolismo da frutose é diferente da glicose.

O metabolismo hepático da frutose favorece a lipogenesis (produção de gordura) neste órgão.

Ao contrário da glicose, a frutose não estimula a secreção de insulina ou o aumento da produção da leptina. Quando a leptina aumenta, funciona como uma chave que ativa o centro da saciedade no cérebro para controlar o apetite, isso sugere que a “frutose”  possa contribuir para o aumento da ingestão calórica e o ganho de peso, já que ela não ativa esse centro.

FRUTAS X SUCOS DE FRUTAS

Uma pesquisa realizada em Harvard School of Public Health pelo professor Qi Sun, acompanhou a dieta de 187 mil pessoas nos Estados Unidos. Destas, 6,5% desenvolveram diabetes tipo 2. Foram utilizados  questionários para observar a frequência do consumo de frutas e quais as porções.As frutas em questão eram uvas ou passas, pêssego, ameixa, damascos, pera, maçã, laranjas, toranja (grapefruit), morangos e mirtilos.

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A análise dos dados recolhidos mostrou que três porções semanais de mirtilo, uva, passas, maçã e peras reduziam significativamente o risco do tipo 2 da doença.

O mirtilo corta o risco de diabetes tipo 2 em 26%, enquanto outras frutas, servidas em três porções diárias, reduzem em 2%.

OS ALTOS E BAIXOS DO AÇUCAR NO SANGUE

As frutas têm componentes altamente variáveis de fibra, antioxidantes, outros nutrientes e fitoquímicos que somados influenciam no risco  de desenvolvimento do Diabetes tipo 2.

Já com os  sucos de frutas, os pesquisadores perceberam a um leve aumento do risco de diabetes tipo 2, contra a redução provocada pela ingestão de frutas sólidas.

Substituindo-se sucos de frutas por mirtilos inteiros reduz-se  o risco em até 33%; com uvas e passas, em até 19%; por peras e maçãs, em até 13% – e por uma combinação de frutas, em até 7%.

A substituição de sucos por laranjas, pêssegos, ameixas e damascos leva a resultado similar.

“Ao fazermos um suco, separamos a (polpa) fruta de seus fluidos, que são absorvidos mais rapidamente, aumentando os níveis de açúcar e de  insulina no sangue que regula a glicemia, facilitando a entrada da glicose na célula e reduzindo-a no sangue”, explica Qi Sun, autor do estudo. “Para diminuir o risco de diabetes tipo 2, o ideal seria diminuir o consumo de sucos e aumentar o de frutas”, aconselha. Nas frutas temos as fibras que auxiliam no bom funcionamento dos intestinos, aumenta a saciedade e diminui a velocidade de absorção da frutose  e sua elevação na corrente sanguínea.

A ingestão excessiva de açúcar aumenta o risco de desenvolver o Diabetes tipo 2.

*Imagem meramente ilustrativa [FONTE]

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