MAU HÁLITO- MUITO ALÉM DA BOCA

Mau hálito, tecnicamente chamado de halitose.

A palavra halitose se origina do latim. “Halitu” significa ar expirado e “osi” alteração. É, portanto, o odor desagradável expirado pelos pulmões, boca e narinas.

A halitose persistente é um problema de saúde com conseqüências sociais e psicoafetivas sérias, que segundo a Organização Mundial de Saúde [OMS] aflige cerca de 40% da população mundial.

A halitose não é uma doença, mas pode denunciar a ocorrência de algum problema de saúde. Assim, é um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio, devendo ser identificado através de um correto diagnostico.

Pode ser apenas um sinal fisiológico como quando acordamos com um hálito ruim pela manhã- Halitose fisiológica. Ela se relaciona a diminuição do fluxo salivar durante o sono: existe um fluxo mínimo de saliva durante o sono. Assim, ocorre putrefação de células epiteliais esfoliadas que permanecem retidas durante esse período ocasionando um odor desagradável, o qual desaparece após a higienização oral pela manhã, restabelecendo o fluxo salivar aos valores normais.

COMO OS MAUS ODORES SE FORMAM?

HALITOSE NA BOCA

caminho integrativo mau-halito lingua
Caries nos dentes                                                                  Residuos de alimentos na língua

Nesse sentido, as bactérias presentes na boca podem gerar o mau cheiro da halitose ao produzir gases odoríferos após a digestão de restos de alimentos na cavidade oral, células epiteliais descamadas, saliva e sangue. As temperaturas que podem superar os 37° – ficando em uma faixa de 34 e 37°C durante o dia – e grande taxa de umidade – acima de 91% – geram um ambiente propicio na cavidade oral para a proliferação bacteriana.

Entre os gases relacionados com o mau hálito, podemos citar o hidreto de enxofre (H2S), metiltiol [CH3SH], dimetil sulfeto [CH3]2S, ácidos orgânicos (ácido butírico, por exemplo), compostos aromáticos [indole e escatole] e aminas [putrescina, cadaverina], todos compostos orgânicos voláteis. Desses, os mais frequentes representantes da halitose são aqueles gases contendo enxofre [S], como o sulfeto de hidrogênio. As bactérias produzem esses últimos através de reações enzimáticas de aminoácidos que contêm enxofre, os quais são a L-cisteína e a L-metionina.

HALITOSE DA REGIÃO NASAL, DA FARINGE E DO OUVIDO

As infecções da região ouvido-nariz-garganta – de origem bacteriana, representam em torno de 8% dos casos de halitose. Temos também outras causas como as ulcerações e os tumores do trato respiratório .

A região nasal também pode ser a origem em duas situações:

  1. A primeira pode ser devido à uma secreção crônica de muco [de origem infecciosa, alérgica, etc] da parte de trás da cavidade nasal na nasofaringe que, apesar de não cheirar mal no início, seu acúmulo e subsequente degradação pela flora bacteriana na parte posterior da língua acaba gerando o mau odor;
  2. Já a segunda situação ocorre quando infecções nasais com formação de secreção espessa de muco nas vias aéreas podem gerar gases odoríferos [Rinohalitose].

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Caseo na amígdala

Há ainda os “caseos”na região da amigdala que contribuem para o mau hálito.

HALITOSE NO PERIODO MENSTRUAL

Uma outra causa interessante pode ocorrer durante o período da menstruação, onde mudanças hormonais no corpo da mulher intensificam ou geram a halitose [Halitose menstrual], possivelmente devido ao menor fluxo salivar observado nessa fase.

HALITOSE PROVENIENTE DO ESTOMAGO

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Helicobacter pylori e úlceras gástricas

É possível que infecções com a bacteria Helicobater pylori, a qual já se demonstrou produzir gases sulforosos, sejam as causas principais quando o problema é suspeito de ter uma origem estomacal.

Além disso, baixa produção de ácido clorídrico pode dificultar a digestão de alimentos que permanecem estagnados dentro desse órgão gerando fermentaçoes e putrefaçoes com formação de gases com odores desagradáveis.

HALITOSE PROVENIENTE DOS INTESTINOS

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SIBO[Small Intestinal Bacterial Overgrowth]

Obstruçoes intestinais podem causar odores fétidos, mas recentemente tem sido descritos casos de SIBO [Small Instestinal Bacterial Overgrowth] e concomitante SIFO [Small Intestinal Fungal Overgrowth] com crescimento excessivo de bacterias e fungos no intestino delgado por desequilibrio da flora intestinal com geração de gases que podem contribuir na halitose e em queixas digestivas tais como distensão abdominal e arrotos, fadiga dentre outras.

HALITOSE DE CAUSAS HEPÁTICAS

Quando a função de detoxificação do fígado estiver comprometida, outros órgãos também responsáveis pela eliminação de substancias voláteis tipo pulmões e pele ficam sobrecarregados e pode surgir tanto halitose como sudorese com cheiro forte.

MOLÉCULAS VOLATÉIS QUE CONTRIBUEM PARA O MAU ODOR ORAL

CATEGORIAS COMPOSTOS
Compostos voláteis a base de enxofre Metilmercaptana

Sulfeto de hidrogenio

dimetilsulfeto

Diaminas Putrescina

Cadaverina

Ácido butírico

Ácido propiônico

Ácido valérico

Compostos fenólicos Indóis

Escatóis

piridina

Alcool 1-propoxi-2 -propanol
Alcalinos 2-metil propao
Compostos contend nitrogenio Ureia

Amônia

Cetonas  

 Adaptado de Goldberg et al, Greenman et al e Claus et al

QUAIS AS CAUSAS COMUNS DE HALITOSE?

Dentre as várias causas de halitose destacam-se:

  1. Problemas na boca: seja por pobre higiene dos dentes, cáries, doença periodontal, infecções locais, redução de saliva, irritação e inflamação provocadas por sensibilidade química ou alimentar ou alergias, neoplasias;
  2. Problemas do trato respiratório: sinusites, amigdalites, bronquiectasias e abscessos pulmonares dentre outros;
  3. Problemas do restante do trato digestorio: inclui desde alteração na flora intestinal[Disbiose] com supercrescimento de bacterias oportunistas[SIBO] ou de fungos[SIFO], baixos níveis de ácido clorídrico no estomago [Hipocloridria]com prejuizo da digestão e consequente fermentação e putrefação de alimentos mal digeridos, doenças do fígado, do pancreas, constipação intestinal, intolerancia a lactose, a frutose, parasitoses, alergia alimentar tardia[vide artigo no site sobre tipos de alergias];
  4. Origem metabólica e sistêmica tal como Diabetes mellitus, doenças renais, enfermidades febris, Sindrome de Sjogren etc;
  5. Medicamentos: algumas drogas podem alterar a sensação de gosto e olfato tipo os sais de lítio, penicilina e tiocarbamida, causando halitose subjetiva, ou ainda podem ser excretadas através do pulmão. Alguns medicamentos antineoplásicos, anti-histamínicos, anfetaminas, tranqüilizantes, diuréticos, fenotiaminas e outras drogas provocam diminuição do fluxo salivar ocasionando o mau hálito
  6. Halitose psicogênica: só a pessoa acha que tem mas o seu hálito é normal;
  7. Provocada por alimentos ingeridos como os que tem enxofre- alho, cebola;
  8. Outras causas: jejum prolongado, bebidas alcóolicas, café, tabagismo.

COMO PODEMOS PREVENIR E TRATAR A HALITOSE?

  1. Higiene bucal com a escovação dos dentes após as refeiçoes além do uso do fio dental;
  2. Visitas regulares ao dentista;
  3. Alimentação balanceada evitando grandes ingestas em cada refeição;
  4. Evitar alimentos a que possui intolerancia ou alergia ou dificuldade de digestão tais como os FODMAPs;
  5. Corrigir hipo ou hiperacidez do estomago, tratar refluxo, adequar enzimas digestivas ;
  6. Melhorar a função do fígado, de excreção biliar e metabolização;
  7. Adequar a flora intestinal com pre e probióticos e tratar parasitoses;
  8. Ingestão de pelo menos 2 litros de água ao longo do dia;
  9. Tratar infecções do trato respiratório;
  10. Corrigir doenças metabólicas

CORRIGINDO O TRATO DIGESTÓRIO

O Programa abaixo é utilizado para recuperação das funções do trato digestório.

caminho integrativo mau-halito 5r

Utilizamos em nossa Clínica [clinica.medin88@gmail.com] um plano alimentar personalizado de acordo com as necessidades do paciente associado ao uso de plantas medicinais, suplementos para correção da função digestiva dentre outras.

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