ALZHEIMER – ATÉ ONDE PODEMOS AJUDAR

Demência e a perda de identidade…

QUAL É O TAMANHO DO PROBLEMA?

Demência é um grande problema que cresce a cada dia.

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa  crônica e progressiva que é convencionalmente compreendida como irreversível. É caracterizada por perda de memória, demência, prejuízo cognitivo e pela presença de placas amiloides no cérebro.

As estatísticas são sombrias: mais de 5 milhões de americanos tem doença de Alzheimer, 10% na faixa etária dos 65 anos, 25% na dos 75 anos e 50% na dos 85 anos de idade desenvolveram demência ou doença de Alzheimer. Pesquisas sinalizam que a doença de Alzheimer afetará 106 milhoes de pessoas em 2050. Atualmente é a sétima causa de morte.

Cientistas atualmente denominam a doença de Alzheimer como Diabetes tipo 3.  

Qual seria a ligação entre essa doença e o Diabetes? Pesquisas mostram que o elo em comum é a resistência a insulina ou diabesidade como o Dr.Mark Hyman do Functional Medicine Institute dos EUA denomina. A diabesidade provém da ingestão excessiva de açúcar e carboidratos e pouca gordura saudável.

A resistência a insulina inicia uma cascata de inflamação no organismo incluindo o cérebro que  pode culminar em dano cerebral e Alzheimer. Essa alteração metabólica  pode se iniciar no adulto jovem.

Estudos mais recentes mostram que pacientes diabéticos têm um risco quatro vezes maior de desenvolver Alzheimer. Pessoas com pré-diabetes ou síndrome metabólica têm um maior risco de desenvolver prejuízo cognitivo leve.

Voce não precisa ter Diabetes tipo 2 para desenvolver dano cerebral e perda de memória decorrente da resistência à insulina.

A mente não funciona de forma isolada do corpo mas há uma conexão mente-corpo que é bidirecional, ou seja, o tipo de alimentação afeta o funcionamento do cérebro já que ele funciona 24 horas por dia, consome 20% do oxigênio que respiramos e 25% da glicose que ingerimos. É um órgão ávido por energia! Precisa fabricar várias substancias químicas, incluindo os neurotransmissores (mensageiros químicos) como a acetilcolina- importante na memória dentre outros. Todos os nutrientes que precisa para montá-los vem do sistema digestório que tem a função de digerir os alimentos, absorver os nutrientes e enviá-los via sangue até ao cérebro.

Como o cérebro é “faminto” por energia tem muitas mitocôndrias [motor da célula que fabrica energia]. É um motor muito exigente e requer várias vitaminas e minerais  para executar a sua função de forma eficiente. Alimentaçao inadequada, estresse psíquico, falta de atividade física, toxinas de bactérias e de metais tóxicos presentes no ar, na água e nos alimentos podem prejudicar o bom funcionamento das mitocôndrias e iniciar uma cascata de danos as células do cérebro.

Prejuizo congnitivo leve e perda de memória podem ser prevenidos e até estacionados se houver investimento em um bom estilo de vida, tais como alimentação saudável, prática de exercício físico, ferramentas para reduzir o estresse psíquico e detox de toxinas de bactérias e de metais tóxicos além da reposição de vitaminas e minerais, dentre outros.

PODEMOS  REVERTER PERDA DE MEMÓRIA?

Recentemente o Dr. Dale Bredesen,  pesquisador  em doenças neurodegenerativas reconhecido internacionalmente  do Instituto Buck nos EUA, publicou o seu novo livro “O fim da doença de Alzheimer: o primeiro programa para prevenir e reverter o declínio cognitivo”. Ele afirma que a doença de Alzheimer é uma doença complexa crônica, com vários fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento, fatores esses que variam de pessoa para pessoa. Defende que a abordagem terapêutica  deva ser individualizada na tentativa de controlar não somente os  sinais e sintomas – como os medicamentos convencionais tentam fazer – mas as causas que levaram a eles.  Observou que nos estágios iniciais de declínio cognitivo é possível estacionar ou até reverter a perda cognitiva.

Propôs 3 tipos diferentes de doença de Alzheimer dependendo da causa subjacente:

  1. Tipo 1 é inflamatório e pode ser devido a patógenos ou outros fatores inflamatórios na dieta;
  2. Tipo 2 é atrófico e é associado com reduções no suporte trófico tal como fator de crescimento de nervo, do BNDF [fator neurotrofico derivado do cérebro], de deficiência de hormônios ou de vitaminas e minerais e de falta de suporte nutricional. Pode haver combinação dos tipos 1 e 2 que ele denominou de glicotóxico – que combina inflamação decorrente de glicemia elevada com resistência a insulina com aumento de AGEs [produtos de glicaçao avançada] com a perda trófica da insulina;
  3. Tipo 3 é tóxico associado com a exposição de toxinas de fungos, de bactérias ou de metais tóxicos;

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As respostas ao programa do Dr.Bredesen variam de acordo com os tipos conforme relata em seu livro. Sendo o tipo 1 com melhor resposta e o tipo 3 com resposta menos favorável.

COMO FUNCIONA O PROGRAMA PROPOSTO POR ELE?

A sua abordagem é multifatorial assim como a preconizada para as doenças cardiovasculares. Segue abaixo as principais recomendações que devem ser individualizadas dependendo do paciente:

  1. Medidas para reverter a resistência a insulina [melhorar aporte energético para o cérebro];
  2. Otimizar o sono [melhora BNDF e outros fatores de crescimento no cérebro];
  3. Praticar exercício regularmente [melhora BNDF e circulação cerebral];
  4. Eliminar toxinas [especialmente no tipo 3 tóxico];
  5. Otimizar suporte hormonal;
  6. Adequar nutrição [por exemplo evitando elevação de homocisteina, corrigindo a vitamina D, o magnésio, a vitamina B12, B9 e B6 que entram na via da metilaçao- cofatores importantes na produção de neurotransmissores];
  7. Eliminar patógenos tais como infecções bacterianas, fúngicas crônicas;
  8. Reduzir inflamação cerebral e remover as causas que levaram a essa inflamação;
  9. Otimizar treinamento cerebral;
  10.  Reduzir estresse psíquico.

Cada passo desse busca o equilíbrio da plasticidade cerebralreduzindo a sinalização sinaptoclástica [destruição de sinapses e células] e aumentando a sinalização sinaptoblastica [formação de sinapses e conservação de células].

O que o Dr. Bredesen fala a respeito dos testes genéticos?

Ele considera que os testes genéticos desempenham um papel importante e que embora haja centenas de SNPs [polimorfimos de um nucleotídeo] associados a doença de Alzheimer, o teste genético mais importante  para o risco dessa doença é a ApoE.  Para aqueles com zero cópia para a ApoE4 tipo ApoE3/3, o risco ao longo da vida para desenvolver essa doença é de 9%; para aquelas pessoas com uma cópia de ApoE4 tipo ApoE3/4, esse risco é de 30%; e para aqueles com duas cópias de ApoE4 tipo ApoE4/4 esse risco é de 50%.

A posição do Dr.Bredesen é que todos devam conhecer o seu status de ApoE para implementar um programa ativo de prevenção o mais precocemente possível. Ele acredita que essa medida  torne a doença de Alzheimer  mais rara.

Mas há muitas controvérsias quanto a solicitar esse teste em quem não tem nenhum sintoma de perda cognitiva. Quem tem essa posição acredita que nada pode ser feito para impedir a evolução dessa doença.

Em adição, o Dr. Bredesen sugere que para aqueles indivíduos com uma história familiar forte para Alzheimer, especialmente com inicio precoce [antes dos 65 anos de idade], deva-se determinar as mutações associadas ao Alzheimer na APP [proteína precursora de amiloide] – presenilina 1 e presenilina 2.

Essa APP funciona como um switch [interruptor] molecular– quando é clivado no sitio alfa, dois peptídeos são produzidos [sAPPalfa e alfaCTF] que dão suporte ao crescimento  de neuritos, à sobrevivência dos neurônios e à manutenção das sinapses- essenciais ao suporte para memoria. Ao contrário, quando a APP é clivada nos sítios beta, gama e caspase, ela produz  4 peptideos [sAPPbeta, amiloide-beta, Jcasp e C31] os quais promovem retração de neuritos, reorganização sináptica e por fim morte de neurônios- contribuem para a perda de memória.

O QUE FAZEMOS NA CLÍNICA COMO SUPORTE A DOENÇA DE ALZHEIMER?

  1. Orientaçao nutricional anti-inflamatória, rica em fibras;
  2. Adequaçao da digestão dos alimentos e absorção dos nutrientes;
  3. Solicitaçao de exames para verificar: alergias alimentares, inflamações  no corpo, desequilíbrios de nutrientes importantes para produção de energia pela mitocôndria, de neurotransmissores, etc;
  4. Correçao da resistencia a insulina;
  5. Uso de plantas medicinais ocidentais e chinesas para modular o equilíbrio hormonal associada a reposição de vitaminas e minerais essenciais ao bom funcionamento cerebral;
  6. Reduçao do estresse psíquico com acupuntura [vide artigo no site] e psicoterapia EMDR [vide artigo no site];
  7. Programa de emagrecimento saudável;
  8. Programa de detoxificaçao para eliminação de toxinas e metais tóxicos.

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