EMOÇÕES – O QUE A NEUROCIÊNCIA TEM A DIZER

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Emoções são fenômenos complexos. Elas modulam e guiam o comportamento como uma série de componentes biológicos, sociais e cognitivos.

Neste artigo, seguimos as teorias de base biológica e a abordagem neurocientífica cognitiva / afetiva.

Na década de 1990 ocorreu toda uma revolução na temática das emoções (Damasio, 1994/1996; Davidson, 1995; LeDoux, 1996; Panksepp, 1998) associada à  introdução de  novas possibilidades de estudá-las como o uso de técnicas  de imagem do cérebro nas ciências cognitivas. Estudos sobre as bases neurais das emoções foram integrados na disciplina da Neurociência Cognitiva, campo emergente com um número crescente de publicações.

Uma das primeiras e mais influentes teorias sobre as emoções é a de William James (1884). De acordo com sua hipótese periferalista, a emoção é definida como a percepção de mudanças corporais específicas que resultam automaticamente dos estímulos apropriados.

Imagine que você está andando na floresta e de repente você percebe um lobo. James afirma que, ao invés de seu coração começar a bater porque você sente medo, você sente medo porque seu coração está batendo forte.

Uma visão periferalista mais moderna e modificada é a representada por Antonio Damasio. Em sua hipótese do marcador somático (Damasio, 1994/1996), ele supõe que os estímulos emocionais provocam mudanças corporais (“marcadores somáticos”) cuja representação central contribui para a tomada de decisões. Damásio afirma que o “corpo é o palco e o museu das emoções.” Ou seja, o corpo participa ativamente das emoções e registra tudo.

QUAL A DIFERENÇA DE EMOÇÃO E SENTIMENTO?

Segundo Damásio, Emoção é um programa de ações, independente da Mente,  que acontece dentro do corpo, nos músculos, coração, pulmões e nas reações endócrinas.  Já Sentimentos são, por definição, a experiência mental que nós temos do que se passa no corpo. É o mundo que se segue à emoção.

Em matéria de segundos, após o estímulo que desencadeou a emoção  ocorrem reações no corpo que são visíveis a olho nu. Qualquer um pode ver uma pessoa tendo uma emoção, não vê tudo, mas vê uma parte. Pode ver o que se passa na face, na pele, nos movimentos que faz para atacar ou se proteger (por exemplo) mas o sentimento  não se vê.  Posso estar me sentindo triste e disfarçar como se fosse alegria, porque a tristeza se passa dentro da intimidade da mente e não pode ser vista. Isso é uma diferença fundamental.

O QUE É  NEUROCIÊNCIA COGNITIVA DAS EMOÇÕES OU NEUROCIÊNCIA AFETIVA?

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O conceito foi utilizado pela primeira vez por Jaak Panksepp (1998) como “Neurociência Afetiva”.

A Neurociência Cognitiva das Emoções diz respeito às bases neurais dos processos emocionais e sociais em humanos e animais.

QUAIS SÃO OS 7 CIRCUITOS DE PANKSEPP?

Com relação as emoções podemos distinguir as primárias (ou básicas) e as secundárias (ou sociais, ditas mais complexas) convencionalmente falando.

Há controvérsias sobre quais emoções podem ser consideradas como “primárias”.

Panksepp é considerado  o maior pesquisador com fundamentação cientifica em ciência neuroafetiva e desenvolveu uma descrição mais rigorosa sobre emoções primárias.

Por definição, sistemas emocionais primários devem:

1. Ser encontrados em todos os mamíferos
2. Representar funções adaptativas com relação a ameaças e desafios da vida
3. Ser acompanhadas por comportamentos típicos
4. Ter uma localização anatômica no cérebro que pode ser estimulada por estimulo elétrico site-especifico
5. Ser dependentes de específicos hormônios, neuropeptideos e neurotransmissores, implicando que podem ser manipulados por substancias bioquímicas

De acordo com os critérios acima, Panksepp descreveu 7 emoções primordiais:

EMOÇÕES PRIMORDIAIS SENTIMENTOS AFETIVOS
BUSCA Entusiasmo
CUIDAR Ternura, amorosidade
PÂNICO [angústia de separação] Solidão, tristeza
LUXÚRIA Excitação
BRINCAR Alegria
RAIVA Bravo
MEDO Ansiedade

* As emoções primordiais são todas de recompensa(laranja) ou de evitação(azul).

Todas as emoções primordiais são “relacionais”. Elas existem para regular a relação do organismo em direção a outras criaturas. Algumas delas já existiam nos reptéis, como medo e raiva. Pessoas variam e diferem na intensidade  e na propensão a essas emoções.

1.BUSCA é a emoção mais básica – o principal motor. É um sistema para todos os fins que “impulsiona” outros sistemas, como o da  Luxúria e  o do Brincar.

A busca é impulsionada principalmente pelo neurotransmissor (mensageiro químico) dopamina. O sentimento subjetivo é a alegria antecipatória

2.MEDO Está envolvido em reforços negativos e nos faz evitar coisas. A dor é um estímulo que o evoca.
3.LUXÚRIA É um motivador de extrema importância para a sobrevivência da espécie
4.CUIDAR É um pré-requisito para o comportamento de apego*. Ser despertado pelo cuidado é acompanhado por sentimentos de amor, empatia, carinho, pertencimento, etc.

Ele é promovido por opióides endógenos e a ocitocina, conhecidos como agentes pró-sociais

5.PÂNICO Também conhecido como “angústia da separação” está intimamente ligado ao cuidado, e ambos são cruciais para o apego.  A angústia de separação pode ser intensamente desagradável resultando em  desespero e tristeza profundos, com perda de esperança para o futuro. Esse sistema está envolvido no luto e na depressão.
6.RAIVA Muito necessária para a sobrevivência. Desencadeada por situações de ameaça ou de humilhação.
7.BRINCAR Observado em todos os mamíferos. Acredita-se que sirva às funções de socialização, particularmente para  domesticar a raiva e  aprender habilidades básicas e normas culturais. O brincar gera alegria(a experiência subjetiva estimulada pelo brincar)

*Apego é a resposta do bebê ao comportamento da mãe

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